Seis por metade de meia duzia...

"aquilo que se faz por amor está além do bem ou do mal". - Nietzsche

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Roseana Sarney e a atualidade de Karl Marx

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Por Uribam Xavier
 
Roseana Sarney, ao declarar que os casos de violências múltiplas aos direitos humanos e o aumento da violência no Maranhão são consequência do desenvolvimento e do crescimento econômico que vem tornando o Estado mais rico, causou espanto. Essa declaração foi dada num momento de pressão frente à onda de violência no presídio de Pedrinhas, um reflexo da falência do sistema penitenciário nacional, e de uma onda de violência que tomou conta das ruas de São Luís vitimando de morte inocentes.
 
O que Roseana apresentou como justificativa para os desmandos é o que Marx já afirmou, no manifesto do partido comunista, ao dizer que na sociedade capitalista quanto mais o trabalhador produz, mais riqueza é apropriada por algumas famílias e empresas privadas, restando para os trabalhadores pobreza e violência. Assim diz Marx, lutando ou não contra o capitalismo, o trabalhador não tem nada a perder, a não ser suas cadeias. Não é por acaso que em todo o país, no Nordeste, o Maranhão e o Ceará são exemplos, pois as cadeias estão abarrotadas de ex-trabalhadores, negros, pobres, desesperados, os sem nada e espoliados.
 
No manifesto Marx diz,ainda, que no capitalismo o Estado atua como comitê de gerenciamento dos interesses capitalistas por meio de suas políticas de crescimento econômico que concentram renda nas mãos de determinados grupos privados. Políticas de juros altos, sistema de financiamento de campanha, sistema de licitação são exemplos desses mecanismos no país. No Brasil, a política de controle do aparelho do Estado passa pela formação de uma aliança conservadora que restabelece as oligarquias locais.
 
Para se perpetuar no comando do governo central, o PT prioriza a formação de oligarquias. As oligarquias são formadas por grupos locais petistas ligados ao grupo de Lula e por clãs locais. No Maranhão, é com a família Sarney; no Ceará, com os Ferreira Gomes; em Alagoas, com os Calheiros e os Collor; e segue pelo resto do país. As alas mais críticas do partido apenas esperneiam e legitimam esse tipo de política. Em seu discurso, o PT é progressista, mas, no governo, comporta-se como impotente frente ao capitalismo, querendo provar que com ele governando, o capitalismo cresce mais do que quando administrado por outros partidos.
 
No Brasil, segundo o PT, estamos indo muito bem, pois o país cresce e o capitalismo nacional enfrenta bem as crises. Tudo realmente cresce: a violência, o aumento da população carcerária, o desrespeito aos direitos dos indígenas, a criminalização contra os movimentos sociais, a violação dos direitos humanos etc.
 
No Maranhão, a justiça decretou que o governo tem 60 dias para criar mais presídios. E quem vai ser jogado nessas cadeias num país com tanto desenvolvimento e crescimento de riquezas? Será quem produz ou quem se apropria das riquezas? Por quê?
 
uribam@ufc.br
Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFC

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