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"aquilo que se faz por amor está além do bem ou do mal". - Nietzsche

quarta-feira, 30 de abril de 2014

ORGULHOSA - Em queda, Dilma tenta frear a pressão pela volta de Lula

Em nova queda apontada em pesquisa de opinião, a presidente Dilma Rousseff aposta no Encontro Nacional do PT que irá indicá-la como candidata à reeleição na sexta-feira para criar um fato político capaz de espantar o fantasma do "volta, Lula" e tentar conter a maré de más notícias em sua précampanha. Preocupada com a pressão pelo retorno do ex-presidente, conforme relatam interlocutores, Dilma entrou em campo para minimizar a campanha que se alastrou nos bastidores político, financeiro e empresarial pedindo a troca do candidato.
 
Nesta semana, o PR, partido da base governista com um ministério na Esplanada, anunciou publicamente a preferência pelo antecessor. O ato motivou declarações da presidente de que sua relação com Lula é baseada em lealdade, como a dada em jantar com jornalistas esportivos anteontem à noite.
 
No comando da campanha, o plano para frear o movimento pró-Lula é oficializar Dilma candidata no evento nacional da próxima sexta, ainda que a homologação oficial fique somente para 20 de junho, data da convenção do partido. Legalmente, a troca de um candidato pode ocorrer até 20 dias antes do pleito do dia 5 de outubro.
 
A ideia é agir de forma mais explícita para tentar sepultar o coro do "volta, Lula". Ambos combinarão juntos o tom do discurso.
 
MÁS NOTÍCIAS
 
Nas últimas semanas, o governo se viu cercado por notícias ruins, do escândalo envolvendo a Petrobras e políticos aliados à crise no setor energético, passando pela avaliação registrada nas pesquisas de intenção de voto e avaliação do governo.
 
Ontem, a CNT (Confederação Nacional do Transporte) divulgou pesquisa do instituto MDA. O levantamento mostra um recuo de 6,7 pontos percentuais nas intenções de voto, passando de 43,7% em fevereiro para 37% agora. Também indica uma fuga mais nítida de intenção de votos para a oposição em uma sondagem com margem de erro de 2,2 pontos.
 
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) subiu de 17% em fevereiro para 21,6%. A pesquisa foi realizada dias depois de ir ao ar propagandas partidárias tendo otucano como protagonista. Já o pré-candidato do PSB, Eduardo Campos, oscilou na margem, de 9,9% para 11,8%.
 
A pesquisa captou os efeitos da crise da Petrobras– 30,3% dos entrevistados disseram que têm acompanhado as notícias sobre o caso e outros 19,9% afirmaram ter ouvido falar sobre o assunto. Para 33,4% dos que tomaram conhecimento total ou parcial sobre o assunto, Dilma foi a responsável pela malfadada compra de uma refinaria nos Estados Unidos.
 
PRONUNCIAMENTO
 
Visando interromper a queda nas pesquisas, Dilma e o marqueteiro João Santana usarão amanhã o discurso do pronunciamento nacional por ocasião do 1º de Maio, Dia do Trabalho, para alfinetar os adversários. Segundo a Folha apurou, ela pretende explorar, sem citar nomes, a declaração de Aécio dada a empresários de que tomará, se preciso, "medidas impopulares", insinuando que isso significa achatamento salarial e aumento do desemprego. Será, como deseja Lula e o PT, um pronunciamento focado na "classe trabalhadora".
 
Sem citar a disputa eleitoral, mas em tom de campanha pela reeleição, a própria Dilma deu ontem, em evento na Bahia, pistas do seu discurso em rede nacional.
 
"Tenho certeza que o povo brasileiro não vai retroagir, voltar atrás, desistir disso que conquistamos: a redução da desigualdade social, da maior criação de empregos que o Brasil teve", afirmou a petista, ressaltando que, "em governos conservadores", o peso da crise "recaía nas costas do trabalhador". Os termos "retrocesso" e "voltar atrás", a propósito, serão vastamente usados pela candidata e sua legenda. A ordem é usar eventos do Planalto para falas de forte teor político daqui para frente.

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